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Fone de ouvido para home studio : Como escolher?

Julho 20, 2019 • 9 min de leitura

Uma das coisas mais importantes na montagem do seu home studio é escolher quais equipamentos comprar. E não importa em qual etapa você esteja. Se já é um produtor experiente ou se apenas está começando. O fone de ouvido, por exemplo, será seu parceiro de todas as horas. Ele te ajudará a mixar bem. Ele será determinante nos testes de qualidade de sua mix. E por fim dependerá dele a excelência de suas gravações. Muito mais do que simplesmente o design, é preciso compreender as demandas técnicas na hora de escolhê-lo. Justamente por isso você precisa saber de alguns fatos. Vamos lá.

Fone de ouvido na produção musical: os fatos mais importantes

  • Sim, é possível produzir com fones: só não é recomendado mixar e masterizar apenas com eles. Por tal você deve utilizar o fone de ouvido como uma das referências, comparando o resultado com caixas de som.
  • Nem todo fone de ouvido vai servir: um fone de ouvido para games ou os famosos Beats não são adequados para monitoramento. Isso porque eles são estruturados para “roubar no jogo”. Certas frequências como os graves são artificialmente engordadas.
  • O que queremos é um fone de ouvido “flat”: O conceito de flat é o mesmo que em um monitor de audio. Basta entender que o fone de ouvido ideal vai reproduzir o áudio da maneira mais fiel possível à realidade.
  • Também é questão de gosto: se você gosta da percepção com aquele fone de ouvido, sem problemas. Contanto que você esteja confortável e os resultados sejam bons nos testes, você escolhe o que preferir.
  • Tipos diferentes, objetivos diferentes: há diferentes tipos de fone para produção e gravação. Falaremos mais a respeito adiante.
  • Atente-se à impedância do pré-amp: embora seja difícil encontrar a impediência nas especificações do pré-amp, vale a pena buscar na internet. Um fone de ouvido com impedância muito baixa irá “gritar” fora do normal. Um com impedância alta demais, dependerá de muito ganho no pré-amp. Isso pode ser ruim para o resultado final.

Passemos, então, a compreender melhor cada um dos pontos.

Diversos tipos de fone de ouvido

Logo de cara, você vai se lembrar de dois tipos de fone de ouvido: o intra-auricular (in-ear, dentro da orelha) e o circumaural (over-ear, sobre a orelha). Eles correspondem a designs bem comuns em nosso dia a dia. O intra-auricular vai inserido dentro da cavidade do ouvido, bloqueando sons externos. Já o circumaural cobre a orelha completamente com sua espuma.

O circumaural passa a impressão de também bloquear sons externos, certo? Contudo não necessariamente será assim. Há três tipos diferentes de fone circumaural com propostas diferentes: o fechado (closed back), o aberto (open back) e o semi-aberto (semi-open).

A título de curiosidade, temos dois outros designs de fone de ouvido. São o supra-aural (variação dos over-ear), o qual pressiona as orelhas para se fixar e o fone de orelha (on-ear), que a envolve com um suporte anatômico.

Fone de ouvido Closed back: isolamento de interferências externas

Nos modelos fechados (closed back), toda a estrutura do fone de ouvido é pensada para barrar interferências. O ruído externo não invade a audição e não há vazamentos de dentro para fora. É perfeito para gravação, afinal há o monitoramento do que se está gravando, mas o microfone não capta reflexões indesejadas.

Todavia, quando falamos de mixagem e masterização, eles podem ser problemáticos. Acontece que não há qualquer noção de ambiência. O som fica trancado entre o fone de ouvido e o ouvinte. Pode inclusive haver variação de pressão, enganando a respeito do que se está escutando.

Justamente por isso o closed back é excelente para gravação e privacidade. Porém pode ser um tiro no pé em suas produções, provocando retrabalhos futuros.

Exemplo de fone Closed Back

O Beyerdynamic DT 770 PRO possui bloqueio completo, evitando invasão e evasão sonora

Quando há o interesse em vazamentos e ambiência, deve-se optar pelos open back ou os semi-open.

Fone de ouvido aberto (open back) e semi-aberto (semi-open)

Ideais para mixagem, o open back e semi-open são os prediletos da maioria dos produtores. Neles não há (ou não existe totalmente) barreira entre as costas do fone e o ambiente externo. Assim, tanto há vazamento do interior como interferência e reflexão do exterior.

Obviamente há maior interação nos open back que nos semi-open, o que pode ser um diferencial especialmente quando o home studio não está isolado acusticamente.

Ainda, vale ressaltar que esses dois designs são péssimos quando se pretende ouvir música em público. Os outros poderão escutar o que você está ouvindo e você acabará ouvindo-os reclamando disso. Porém são ótimos quando se está na intimidade do estúdio.

Sua principal vantagem é a sensação de ambiência, de naturalidade do som. Com isso é muito mais fácil conseguir uma mix que soe bem em outros dispositivos. Afinal adianta pouco — ou quase nada — concluir um trabalho que apenas funciona nos seus monitores.

Dessa forma os open back e semi-open funcionarão perfeitamente em conjunto com monitores ou caixas. Apenas tome cuidado com o efeito proximidade e mantenha atenção nos graves. Revisar a mix é imprescindível com ou sem eles.

Mas cuidado: como os componentes eletrônicos estão expostos, eles sofrerão deterioração mais rápido. Trate seu fone de ouvido com muito carinho para que não estrague facilmente.

Fone de ouvido Shure SRH1840 Professional

O Shure SRH1840 Professional combina qualidade com ambiência, proporcionando interação entre ambientes

Atenção na impedância de saída do conector de fone de ouvido

Como falamos antes, é importante ter em mente que cada fone de ouvido possui impedância definida pelo fabricante. Isso ocorre pois as marcas buscam casar a compra do fone de ouvido e do pré-amplificador.

Mas ainda que seu pré-amp e seu fone de ouvido sejam de fabricantes diferentes, não se preocupe. Basta estar atento às especificações de ambos. Pesquise na internet, consulte em fóruns e saiba exatamente qual a impedância do pré-amp. Com esse dado, multiplique-o por oito ou dez. Esse pré-amp está apto a alimentar fones de ouvido com impedâncias a partir desse valor que você encontrou.

Importante: Lembrando que é o pré-amp do fone de ouvido, ok? Se estivermos falando de uma interface de áudio, a informação que você quer é a impedância de saída da saída de fone.

A grande questão é evitar que o fone de ouvido receba muito sinal, roubando no que se escuta. No entanto o inverso é igualmente ruim. Se o fone de ouvido possui impedância alta demais, haverá distorções ao rodar o arquivo final em outros equipamentos. Você terá trabalhado com ganho muito alto.

Se quiser fazer um experimento, é bem simples. Basta conectar um fone de impedância alta (600Ω, por exemplo) em um jack P2 de celular. Você verá como soa muito baixo, pedindo muito mais volume.

Tratamento acústico também importa

Talvez você esteja mixando com fone de ouvido por não ter como investir em monitores. E isso é bastante tranquilo. Sendo os monitores equipamentos um tanto caros, vale a pena gastar primeiro nos fones.

Todavia é importante tratar o ambiente para cancelar reflexões e diminuir o eco. Você não vai querer engarrafamento de frequências nem faixas muito magras em sua mix. Então trate já de preparar o estúdio pensando nos monitores que virão num futuro próximo.

Tamanho do fone de ouvido não importa… não mesmo

Você até pode suspeitar de um fone de ouvido pequeno. Afinal é difícil acreditar que transdutores mínimos seriam capazes de reproduzir áudio com fidelidade. Mas não passa de um engano.

Hoje mesmo os fones minúsculos já são capazes de graves poderosos e retumbantes. O que vale aqui é considerar o parâmetro QTS dos transdutores. Quanto mais baixo o QTS, maior o ataque. No entanto soará mais “seco”. Quanto maior, menor controle dos componentes, porém mais “macio” soará. Justamente por isso conseguimos bons graves mesmo em minúsculos fones intra-auriculares. Não tendo dimensões que suportem um transdutor dinâmico, valem-se dos “balanced armatured drivers” para trabalhar.

Apesar desse detalhe técnico, vale lembrar que nada substitui ir lá e ouvir o fone. Não compre fones pela ficha técnica, vá com suas musicas de referência e ouça se ele faz sentido para você.

Falando dos prediletos de muita gente

É você quem decidirá qual fone de ouvido usar. Contudo é importante ouvir opiniões diversas antes de tomar qualquer decisão. Falemos portanto de modelos prediletos por produtores mundo afora.

Audiotechnica M50X

Apesar de closed back, é um dos atuais preferidos de muitos para mixar por sua resposta de frequências quase absolutamente flat e preço muito acessível. (USD 90)

Não se deixe enganar quando for fazer os efeitos de sua mix ou de conferir equilíbrio de volumes. Ele ainda é um closed back e você estará com uma referência perigosa. Divide amores com o M40X.

Fone de ouvido M50X Audiotechnica

Audiotechnica M-50X, uma bela opção de primeiro fone.

Sennheiser HD280 Pro

Trata-se do fone de ouvido de gravação mais popular do mundo. É closed back e com um redutor de ruídos passivo muito forte, por conta da estrutura.. Quase nada escapa ou invade o campo do ouvinte.

Apenas evite-o quando for mixar.

Sennheiser HD280 Pro

O Sennheiser HD280 Pro, closed back especial para gravações

Sony MDR-7506

O MDR-7506 também é closed back. Muita gente gosta de gravar com ele por ser extremamente confortável.

É o preferido entre os que admiram os monitores NS-10 da Yamaha. Esses mesmos engenheiros de som costumam tê-lo para conferir mixagens.

Fone de ouvido Sony MDR-7506

Sony MDR-7506, predileto pelos adoradores da NS-10

Beyerdynamic DT990 Pro

Partindo para os open back, esse garoto é uma máquina! Com preço interessante, ele entrega muito mais do que promete.

Seus graves são belíssimos e seus transdutores oferecem uma gana incrível de frequências. Talvez por isso seja tão idolatrado entre os que querem gastar pouco e bem.

Beyerdynamic DT990 Pro

Beyerdynamic DT990 Pro, queridinho pelo custo benefício

AKG K240

Este aqui é um semi-aberto. E não espanta que muitos produtores sejam apaixonados por ele.

Contando com uma construção perfeitamente anatômica, ele funciona bem tanto para mixes como gravações. É tido como o mais versátil e confortável dentre seus concorrentes.

E o melhor: o K240 custa apenas em torno de $100USD. O máximo, não?

AKG K240

AKG K240, uma unanimidade

Conclusão

Há muitas vantagens em possuir um bom fone de ouvido em seu estúdio. Mixar ou fazê-lo de referência é regra. Você só precisa pensar com sabedoria em qual irá escolher.

Atente-se à proposta, se aberto, fechado ou semi-aberto. Mantenha atenção na impedância, para não acabar exagerando ou perdendo frequências que fariam toda a diferença. E por fim confie em sua audição. Ninguém melhor que você será capaz de retirar o máximo de suas produções.