Mesa de som - Preciso de uma no meu home studio? : Magroove Blog

Mesa de som – Preciso de uma no meu home studio? Ela muda alguma coisa?

Setembro 28, 2019 • 11 min de leitura

Você está equipando seu home studio para a primeira gravação: instrumentos prontos, regulados. O microfone é plugado na entrada XLR da interface, que tem um pré-amp. A interface está ligada via USB no computador, convertendo o sinal para digital, gravando DAW de sua preferência, onde você vai mixar. Mas espera aí: onde entra a mesa de som nessa configuração? Em tempos de gravação digital, tudo é passível de substituição virtual. Os pré-amps, entradas e saídas agora estão na interface. Os faders e equalizadores, na DAW. Efeitos podem ser baixados como plug-ins. Mas será que qualquer interface e DAW presentes no mercado são melhores que adotar um console como plataforma de gravação? É o que vamos discutir nesse texto.

Mesa de som para quê?

As mesas de som são onipresentes na clássica imagem de gravações antológicas fixadas em nossa memória. Ao montar um home studio, muitas pessoas acabam logo comprando uma sem ainda pensar na sua real utilidade. Afinal, “estúdio que é estúdio” precisa de uma mesa. Para home studios normalmente são levados modelos menores, com poucos canais, pela impossibilidade espacial, acústica e estrutural, de gravar muita coisa junta ao mesmo tempo (além do custo, é claro). Mas se o pulo do gato no home studio, o que possibilita gravar em espaços menores, com interfaces de poucas entradas, é exatamente gravar uma coisa de cada vez, para quê você precisa de uma mesa, então?

foto de mesa de som

A mesa de som é um dos ícones de um estúdio.

História das mesas de som

No início da história da gravação, o as gravações eram realizadas ao vivo, com todo mundo tocando ao mesmo tempo. A gravação era registrada em cilindros de cera. Era um microfone só, e o volume era ajustado in loco: cada instrumento era posicionado com a distância adequada do microfone para que seu volume na gravação fosse o ideal. Ou seja, a mixagem acontecia na própria execução. Claro, a reprodução ainda era mono.

Com o surgimento da fita, nos anos 30, a mesa ampliou sua função, possibilitando a gravação de instrumentos de forma separada. Em 1958, a EMI lancou, no estúdio de Abbey Road, a mesa Redd 17, que apresentava maravilhosos oito canais, com faders de volume e equalização. O fader só passou a ser linear graças ao engenheiro de som Tom Dowd, da Atlantic Records. Pianista, ele queria arrumar um jeito de manipular vários volumes ao mesmo tempo. Em knobs giratórios isso não era possível.

As mesas de som ainda não tinham pré-amp embutido. Era preciso instalar um pré-amplificador para cada canal. Nessa época, principalmente nos anos 60 e 70, a mesa passou a ter um papel importantíssimo na gravação. Você já deve ter assistido a vídeos de antigas sessões de gravação, em que vários técnicos ficavam na mesa e manipulavam os canais ao mesmo tempo. A qualidade e tecnologia da mesa de som e a forma de operá-la contribuíam para a dinâmica e para o espírito da captação.

Mesas digitais

Com a velocíssima evolução da tecnologia digital, as mesas não ficariam de fora. A mesa de som analógica foi aos poucos sendo substituída pela digital, que apresenta compatibilidade direta com os recursos da gravação digital. Mesas analógicas são pouco usadas atualmente em gravações, a não ser as extremamente luxuosas, de estúdios clássicos. Essas são aplicadas em trabalhos específicos, nos quais ela realmente faz diferença. Vale lembrar que as válvulas, o circuito Solid State, a voltagem aplicada ao circuito da mesa, além da gravação em fita, tudo isso influenciava no resultado sonoro final.

Mesas de som digitais são compatíveis com softwares e plugins de efeito. Você pode até usar o mesmo canal para diversas tracks diferentes. No DAW, as tracks para mix são, na prática, infinitas. Mas ela precisa ter uma interface USB ou Firewire. Leia nosso outro artigo se você não sabe uma interface de audio para que serve. Não há outro jeito de conectá-la ao seu computador.

Mesa de som digital

  • Dependendo do modelo, conecta-se com tablets e computadores.
  • Tem conversor analógico/digital embutido, já que tudo acontece no âmbito digital.
  • Muitas vezes conta com efeitos.
  • Possibilita o uso de um controle para vários canais.

Mesa de som analógica

  • O sinal nunca é convertido para o digital.
  • Não pode ser conectada ao computador. É necessária uma interface à parte e conversores AD-DA.
  • Muitos alegam que a soma analógica, por questões de saturação de barramento (local onde os sinais se somam), dá um som muito melhor que a soma digital.

Também estão disponíveis no mercado controladoras DAW. Ligado a uma mesa digital, a plataforma possibilita o controle manual e integrado do seu programa de gravação. Uma das opções é o modelo FaderPort, da PreSonus, que fornece controle para os softwares Studio One, Logic e Pro Tools.

Uma mesa de som é composta por:

  • Entradas: XLR e P10
  • Controle de ganho: (trim/gain) aumenta ou diminui a pré amplificação de cada canal de microfone.
  • Equalizador: agudo, médio e grave. Em modelos mais simples, não existe.
  • Low cut (high-pass): É um equalizador pré-formatado, que atenua os graves, afastando ruídos de interferência no sinal, barulhos externos ou reflexos acústicos. Só existente em modelos mais completos.
  • Aux: Botão que copia aquele canal para o Aux indicado. Usada tanto para fazer o retorno do músico (só é mandado o que ele pede para ouvir) quanto para efeitos externos.
  • FX Send: controla o envio de sinal para algum efeito externo acoplado, que volta para a mesa pela entrada FX return. Não deixa de ser um Aux.
  • Pan: permite o direcionamento do canal para o canal esquerdo ou direito.
  • Faders: Volume de cada canal. Pode ser em trilha/linha (fader) ou em knob.
  • Main out: volume geral da saída da mesa, para potências ou caixas de som.

Usando a mesa

Gravação e mixagem

Aquele rack bonitão cheio de aparelhos que você vê em estúdios profissionais tem função. Normalmente são compressores, equalizadores de frequências mais detalhadas e efeitos diversos, aplicados na pós-produção. Sim, por que é menos arriscado tratar o som depois de gravado do que captá-lo com aquele reverb e depois se arrepender, certo? Nem sempre. Os mais experientes já sabem o que esperar e o que certa gravação precisa, então gravam direto passando algum tipo de processamento, sem volta. É seguro dizer que, quanto mais próximo de ter essa certeza e segurança o profissional está, mais experiente ele é.

Mas na atualidade, muitos estúdios estão preferindo investir esse dinheiro comprando DAWs pacotes de plug-ins e, principalmente, conversores que transformem os sinais analógicos em sinais digitais com a maior fidelidade possível. Claro, equalizadores, compressores e efeitos analógicos são únicos. Mas entre o oceano de possibilidades virtuais e o seu bolso, sobressaem a criatividade para dar conta do bom gosto!

Mesa para shows

Pelo menos por enquanto, ainda são necessárias mesas de som em apresentações ao vivo. Nos setups maiores (e com mais verba), essas são duas. Uma serve somente para controlar o retorno dos músicos. Ela é operada por alguém nas laterais do palco. A outra é a mesa clássica – necessária para mixar o som que sai no PA para a audição do público – e essas já são substituídas parcialmente por DAWs instalados em tablets, aparelho que permite a mobilidade do técnico para uma melhor percepção do som reproduzido no espaço do show. A mesa do PA, em muitos casos, já é digital. Mesmo com os transmissores wireless inutilizando cada vez mais os cabos para retorno, instrumento ou microfones, a mesa ainda tem seu papel em concertos.

Mesa para ensaios

A maioria dos estúdios de ensaios mantém a mesa na sua função primordial de ser um intermediário entre os instrumentos e as caixas. Em algumas salas, amplificadores e bateria sequer são microfonadas. A mesa de som reúne vozes, instrumentos microfonados, como sopros e outros ligados em linha, como teclados e violões. Em ensaios, poucas vezes a mesa é usada para aplicar efeitos. Por isso, geralmente modelos mais simples são usados para esse fim. Um botão de volume e um pré amplificador bastam. Essa mesa pode ficar tanto dentro da sala de ensaio, quanto na técnica (sala de controle), acessando os cabos através de uma medusa. Assim como nos palcos, um tablet vem sendo adotado por técnicos em estúdios para facilitar o processo de equalização e controle dos variados artistas que passam pelo espaço.

Interfaces

interface-digital-home-studio

A interface tem pre-amp, conversor e entradas XLR e P10.

No início da popularização da gravação digital, pipocaram placas de som de qualidade, que melhoravam os recursos sonoros do seu computador, na reprodução e gravação. As primeiras eram placas on board, você precisava substituir a sua placa nativa por alguma delas. As mais famosas foram a SoundBlaster, Delta 1010lt e 2496 Audiophile, as duas últimas da M-audio. Elas ofereciam mais entradas e saídas do que as placas nativas, além de resolver o irritante problema de latência que o drive original do Windows apresenta no uso de DAWs. Mas essas placas não possuíam pré-amplificador, o que tornava a mesa do som ainda bastante necessária.

Mas agora existem interfaces externas com pré-amps, menores que as mesas, com as entradas suficientes para que você grave vários instrumentos de uma vez na sala da sua casa.

Então mesa de som e interface não se misturam?

Se você passar o instrumento pela mesa, com pré-amp, e depois ligar a saída do canal no pré-amp (entrada de microfone) da interface, para só então enviar o sinal para o DAW, o seu som pode se distorcer. Não há necessidade de somar dois pre-amps. Nessas situações, usamos a entrada de linha da interface.

Mas os dois dispositivos pode conversar em algumas situações. Por exemplo:

  • Da interface para a mesa: usando múltiplas saídas separadas para os diversos instrumentos, é possível ligar-los via line-in (ou seja, sem pré-amp) na entrada dos canais, um em cada. Da mesa, o sinal vai para os monitores. Desse modo, você mixa pela mesa ao invés da DAW. A vantagem é que mixar com faders é bem mais intuitivo do que com DAW e mouse. O chato é que as essas configurações usadas na mesa não estão salvas junto a seu projeto!
  • Da mesa para a interface: você pode aproveitar todos os recursos do canal (como um preamp valvulado, o EQ, compressor ou até o próprio volume) para já pré-mixar e entrar com o som mais pronto para o computador. Isso já adianta muito sua mix.

Microfone USB

Seguindo a tendência de tornar tudo mais compacto e prático, a indústria logo disponibilizou no mercado o microfone USB. A ideia é que você plugue o mic no seu PC e já saia gravando com a maior facilidade. Estão disponíveis em todos os tipos, dinâmicos, condensador e nos padrões polares omni e unidirecional.

A resposta de frequência é aceitável. Os microfones USB trazem embutidos, preamp e conversor AD. A própria porta USB fornece a energia para o phantom power, no caso de modelos condensadores. No entanto, você não tem como usar o seu conversor (provavelmente de maior qualidade) presente na interface, já que o sinal sai digital e entra direto no USB. Se tiver outros dispositivos ligados nas demais portas USB do seu computador, ele pode ficar pesado. Além disso, o microfone USB pode ser mal reconhecido pelo drive do seu computador como uma interface. Quando isso acontece, o DAW pode gerar aquela latência que atrapalha todo o processo, ou simplesmente não abrir.

Microfones USB têm sido a solução preferida de Youtubers, vloggers e produtores de podcasts que gravam material direto no computador e muitas vezes não vão nem usar DAWs, quem dirá plugins. Se você tem maiores pretensões no seu home studio, o microfone USB pode ser uma peça que, daqui a algum tempo, não conseguirá encaixar no seu setup. Será que isso compensa?

Diante de todas essas informações, você há de concordar que não há melhor ou pior. A escolha mais certa é a que melhor responde ao que você quer, tanto em logística quanto artisticamente: Qual espaço você tem Quantas pistas você pretende gravar ao mesmo tempo?

 

Foto de uma DAW

DAWs trazem inúmeras possibilidades em efeitos e canais.

O que você realmente precisa no seu home studio?

Seja mesa de som ou interface, o que é imprescindível para uma boa gravação digital em seu home studio:

  • Pré amplificador: Mesas geralmente têm, a maioria das interfaces também. Você pode adquirir um pré-amp independente também;
  • Conversor A/D e D/A: também presente tanto em mesas digitais têm quanto em interfaces, além de módulos de conversão. A qualidade da conversão do sinal analógico para o digital é importantíssima no resultado da produção. Evita problemas na pós-produção, mixagem e masterização e garante boa resolução de áudio.

Além disso, a gravação digital exige sempre um computador com bom processador, memória RAM em tamanho adequado e bastante espaço no HD. Entre a mesa e a interface existe você, cuja criatividade vai construir o caminho até o produto final. Agora falta escolher qual dessas ferramentas vai te auxiliar melhor.